quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Cafeína e os Discos de Jazz.

Entre a cafeína e os discos de jazz, os velhos e os novos vícios. Algumas vidas repetindo as mesmas notas batidas e tentando me manter vivo. O velho sentimento sádico de quem mantem-se um curioso irremediável que sente a mórbida necessidade de assistir a própria amputação à serra elétrica.
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Ah, eu odeio todos vocês.
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Eu já bebi café demais nessa vida pra aguentar o tédio crônico que as suas picaretagens travestidas de palavras de ordem supostamente radicais que insistem em repetir os mesmos vícios da reação me causam. Eu ojerizo esta eterna alegria do coração da juventude. A criança interior foi sufocada a muito tempo pelo centro de correção para jovens infratores no qual eu me convertido. Eu sou a negação.
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Eu sou a respota dialética e diametralmente oposta ao que você chamam de amanhã. Eu sou o outro lado do que você chamam de alegria. Eu sou a monotonia que responde ao seu patético maracatu e cirandas e todo resto. Eu sou a cafeína e os discos de jazz. Os mesmos e únicos discos de jazz. Eu sou a repetição. Eu sou a História que se repete dia após dia. O eterno dejá vu. As notas se repetem e só percebe que ficou acordado tempo demais, como eu. Eu sou o tédio. Eu sou o tédio. O jazz não tem mais graça quando você olha pelo mesmo lado que eu.
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Repetição. Tédio. Repetição. Tédio.
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[John Coltrane - Moment's Notice]

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