"Vivo na cidade
O ar é negativo
As árvores vão morrendo
Concreto a me cercar"
(Cólera - Vivo na Cidade)
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Eu estou no terceiro andar de um prédio residencial no meio de um dos bairros mais nobres da cidade. Como eu vim parar aqui? Eu só precisei ficar sentado! Tudo isso e mais nada! Pra onde eu olho vejo prédio... nada mais, só prédios! O bairro inteiro é a consolidação de um sonho pequeno-burguês do qual eu não quero fazer parte.
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Choveu a pouco tempo, nao mais que dez minutos. Fortaleza é uma cidade com chuvas confusas que mais parece um soluço do que uma chuva, e, a pior parte é que, toda vez que chove, a cidade fica abafada como uma sauna, pricipalmente entre esse universo de prédio que é esse inferno do qual eu faço parte hoje. Eu não tenho nada sobre o que escrever, o mundo está entrando em colapso e eu não consigo encontrar palavras para descrever isso, eu deixo tudo morrer e fico calado diante disso. Eu não tenho nada a dizer, nem uma ironia, nem uma ofensa, nem uma piada (as minhas piadas são horríveis, todo mundo me diz isso), então, eu penso o mínimo possível. Apenas me calo e escrevo.
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Abro a janela, a minha vista, prédios! Prédios, nuvens e prédios, nada além disso! O céu não tem estrelas, e, se tivesse, eu nao me importaria! Deixe as estrelas para os poetas horríveis que tentam me vender sua poesia cretina em todo lugar que eu vou! Eu não me importo com as estrelas, e muito menos com a poesia!
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Abro a janela, a minha vista, prédios! Prédios, nuvens e prédios, nada além disso! O céu não tem estrelas, e, se tivesse, eu nao me importaria! Deixe as estrelas para os poetas horríveis que tentam me vender sua poesia cretina em todo lugar que eu vou! Eu não me importo com as estrelas, e muito menos com a poesia!
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Eu juro que não poderia estar mais abafado! Talvez o mundo inteiro esteja assim e ninguém nunca tenha parcebido!
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Eu penso em piadas! Eu arquiteto frases prontas para dizer em situações determinadas por mim, situações que, quase sempre, não são ao meu favor. Quanto mais eu escrevo, mas eu acho patético escrever! É patético! É patético e é tudo o que eu tenho! Maldição!
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Eu tenho raiva do mundo! Acho que sempre tive! Por tantos motivos que acho que nem eu seria caaz de enumerá-los e compreendê-los, eu me sinto tão ridículo nessa minha sequência ilógica de pensamentos e atitudes! Eu me sinto tão incoerente tentando exorcisar os demônios do mundo quando sigo alimentando os meus próprios! Eu me sinto inútil, porque palavras são inúteis e não há nem um pingo de poesia nas minhas palavras! Não há amor aqui! E eu, aqui, bato essas teclas só para provar o quão fraco eu sou. Eu odeio este mundo! Eu odeio o que ele me ensinou a ser e odeio o que ele me obriga a ser!
Eu tenho raiva do mundo! Acho que sempre tive! Por tantos motivos que acho que nem eu seria caaz de enumerá-los e compreendê-los, eu me sinto tão ridículo nessa minha sequência ilógica de pensamentos e atitudes! Eu me sinto tão incoerente tentando exorcisar os demônios do mundo quando sigo alimentando os meus próprios! Eu me sinto inútil, porque palavras são inúteis e não há nem um pingo de poesia nas minhas palavras! Não há amor aqui! E eu, aqui, bato essas teclas só para provar o quão fraco eu sou. Eu odeio este mundo! Eu odeio o que ele me ensinou a ser e odeio o que ele me obriga a ser!
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Eu poderia continuar aqui por mil anos, talvez até mais, mas não, eu não quero! Eu não tenho estômago pra dar mais um passo sequer e descobrir qual a próxima idiotice que eu vou escrever aqui! Eu deixo estas palavras aqui, pra serem esquecidas e, principalmente, para se esquecerem de mim.
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Eu poderia continuar aqui por mil anos, talvez até mais, mas não, eu não quero! Eu não tenho estômago pra dar mais um passo sequer e descobrir qual a próxima idiotice que eu vou escrever aqui! Eu deixo estas palavras aqui, pra serem esquecidas e, principalmente, para se esquecerem de mim.
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Se perguntarem, diga que eu nunca estive aqui!
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[Deserdados - Yo Quiero Ser Libre!]
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