"We're gonna get revenge
You won't know what hit you
We're tired of being screwed"
(Black Flag - Revenge)
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(Em uma mesa próxima ao balcão, havia um rapaz loiro com o cabelo muito curto, camiseta preta, uma jaqueta de couro, fones de ouvido e um cd player que era, vez por outra, golpeado pelo rapaz. O burguês tenta pegar uma cadeira vazia naquela mesa.)
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Não ouse sentar nessa cadeira, imbecil! Eu não te convidei para sentar. Não, não tem ninguém sentado nela, se é isso o que você quer saber, eu só não quero um idiota como você na mesma mesa que eu! Já me basta ter que aguentar o cheiro de mijo que sai desses banheiros, esses fones de ouvido que funcionam em revesamento, não preciso de um idiota como você pra me fazer perguntas cretinas do tipo "como vai a família?". E daí que não há mais cadeiras livres? Essas são as leis do Parede de Pedra: "cada um que se vire com as cadeiras que seu traseiro não é meu problema. E cada um que traga suas próprias desgraças, pois a vingança é por conta da casa", e a vingança aqui, pequeno burguês, é a unica lei que vale, e acho que é por isso que eu não te ofereça uma cadeira: porque meus rancores são tão grandes que precisam de três cadeiras pra sentar e beber comigo. Essas cadeiras são para os meus fantasmas, e você não vai querer tomar o lugar deles, caso queira dormir em paz essa noite, pois acredite: ninguém dorme com tantos fantasmas dançando ao redor, e aqui no Parede de Pedra, ninguém nunca dorme, pois é aqui onde todos tentam expulsar seus fantasmas, mas eles nunca vão embora, e tudo o que podemos fazer é alimentá-los, pois os fantasmas tem fome, seu maldito, eles devoram tudo o que trazemos lá de fora: o nosso ódio, o nosso medo, a nossa culpa, e o que nos devolvem? Rancor! Sede de vingança contra tudo que vai além desses paredes, tudo que está do lado de fora é o inimigo, tudo o que está lá, seja mulher, criança ou idoso, deve morrer! Entende agora porque não te ofereço uma cadeira?
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(Olha para o lado, mas vira-se novamente de forma brusca com um sorriso sinico nos lábios)
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É mentira! Não te ofereço uma cadeira porque não gosto de você.
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(Volta-se para o cd-player que insiste em apresentar defeito, bate nele com o punho fechado e de repente tira os fones do ouvido de forma abrupta e começa à falar com o burguês, que permanece em pé)
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Você! Você viu como é o mundo lá fora, não viu? Sabe esse mundo bonito, onde as crianças brincam, os pássaros cantam e todo mundo é branco, cristão, honesto e dirige um sedan? Sabe esse mundo social-democrata, a verdadeira realização do maldito american dream? Um dia... um dia eu quis ser parte dele, sabe pode ver esse mundo do outro lado dessas paredes? Houveram tempos em que eu realmente quis, eu também quis ter uma família... é, eu queria ter uma casa de dois andares, um bom emprego, uma bela esposa que me amaria e eu a amaria também, dois filhos pródigo que me encheriam de orgulho quando se formasse em Medicina e Direito, uma scort, tv à cabo, plano de saúde, cortar a grama no domingo... mas o que eu consegui? Herpes no pau, cerveja quente, café aguado, fones de ouvido que não funcionam e solidão. Foi isso que o seu mundinho me deu, e eu só queria ser parte desse sonho de beleza e poesia cristã, mas o seu Cristo acho que eu não era bom o bastante. Há algum tempo eu quis ser parte do seu mundo, mas hoje, eu só quero vê-lo queimar!
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E é isso, burguês, que nós fazemos aqui: planos! Enquanto vocês trabalha, dormem, trepam, nascem e morrem, nós ficamos aqui fazendo a mesma coisa: planos! Não planos para quando acharmos quem nos ame, não planos para quando alcançarmos nossos sonhos, ninguém aqui ainda é inocente para pensar que vai ser um grande profissional, um bom amante ou nada disso, aqui somos a vergonha de nossas famílias, os bastardos de nossas nações, os rejeitados do paraíso e os únicos planos que correm nas mentes podres deste bar envolvem sangue, ódio, violência. Aqui, pequeno burguês, carregamos todos toneladas de papeis nos bolsos, nenhum deles traz palavras de amor, ou contas pra pagar ou alegrias pra contar quando voltarmos para nossas casas que nem existem, aqui não trazemos nada que exista no teu mundo... todos os papéis que temos em nossos bolsos trazem telefones de alguém que possa conseguir-nos uma arma, explosivos, veneno, vingança! Pois dentro dessas paredes, nenhum coração sem crimes é bem-vindo e nenhum ser sem ódio também, aqui vivem miseráveis, criminosos, bastardos! E talvez aqueles garotos de Liverpool, que eram burgueses também, talvez eles estejam errados, e talvez o que nós precisemos não seja amor, amor aqui é pouco, amor aqui é crime, talvez o que nós precisemos seja de uma arma.
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Então, pequeno burguês, mais um gole / mais um gole a nós: os bastardos! / aqueles vocês esqueceu pelos cantos / aqueles que fazem figuração no teu mundo e que você finge que não / um brinde à nós, que somos famintos / que vivemos sozinhos e sem voz / que vivemos a vida sem os sonhos e sem o pão / e sem as esperanças também / A nós, que somos tua vergonha, a tua desgraça, o teu erro e a tua perdição / a nós, que nunca sentamos em tua mesa / que nunca bebemos do teu vinho e nunca comemos do teu pão / que nunca dormimos em tua cama e nunca fomos teus irmãos / Um último gole, burguês / antes que te levantes / pagues a conta e se esqueça de nós / pra sempre talvez / Mas não esqueça, burguês / que a luta de classes ainda não acabou / e que os império de pedra caem também / eles sempre caem / Ah burguês, e como caem!
Então, pequeno burguês, mais um gole / mais um gole a nós: os bastardos! / aqueles vocês esqueceu pelos cantos / aqueles que fazem figuração no teu mundo e que você finge que não / um brinde à nós, que somos famintos / que vivemos sozinhos e sem voz / que vivemos a vida sem os sonhos e sem o pão / e sem as esperanças também / A nós, que somos tua vergonha, a tua desgraça, o teu erro e a tua perdição / a nós, que nunca sentamos em tua mesa / que nunca bebemos do teu vinho e nunca comemos do teu pão / que nunca dormimos em tua cama e nunca fomos teus irmãos / Um último gole, burguês / antes que te levantes / pagues a conta e se esqueça de nós / pra sempre talvez / Mas não esqueça, burguês / que a luta de classes ainda não acabou / e que os império de pedra caem também / eles sempre caem / Ah burguês, e como caem!
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[Comeback Kid - Always]
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