Que horas são agora? Não sei com certeza, mas sei que estou atrasado! Sem nenhum compromisso, mas estou atrasado. Precisei de uma caneta para escrever o que não devia: um poema, uma mentira, uma blasfêmia, uma bobagem qualquer... no caminho para a saída da biblioteca vejo uma garota - uma bela garota - com uma caneta prendendo o cabelo... eu devia ter roubado-lhe a caneta, devia ter o roubado-lhe a a caneta e o coração.
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Eu devia ter roubado...
Eu devia ter roubado...
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Eu me sento, eu escrevo, escrevo para fazer o tempo voltar e o atraso se perder, mas é inútil, os livros voraciferam meu nome e eu escrevo com culpa, culpa de quem comete um crime, queria calar esses dedos mas o demônio em mim tem voz e a voz grita!
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Eu devia ter gritado...
Eu devia ter gritado...
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Mas aqui é uma biblioteca! Aqui é proibido gritar! É proibido gritar, falar, cantar, dançar ou viver, mas o demônio é anarquista...
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O demônio não se cala...
O demônio nunca se cala...
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O silêncio é violado por sussuros que destroçam o frágil silêncio, "Proibido falar?! Que se dane!", mantendo viva uma chama anarquista que arde no peito de cada um, mas que no meu parece ter se calado, como um morto, um morto vivo que já não fala, não pensa, não ama, não erra!
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Eu devia ter errado...
Ah, como eu queria ter errado...
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Mas o demônio se cala, não mais grita meu nome e não mais guia meus passos, nem beijos doces ou pão embebido em pecado. O demônio se apaga, a chama se cala e a dama sequer sabe meu nome. E eu sei que talvez essas paredes nunca mais ousem tocar-me um tango o qual eu nunca dancei.
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Eu devia ter dançado...
Eu devia ter dançado...
[Immolation - After My Prayers]
3 comentários:
Pior que calar as palavras é calar o coração e deixá-lo agonizando...
sai daí crente.
Nem tudo na vida é bom, meu caro :)
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