quarta-feira, 7 de maio de 2008

Dominical

A tarde rasteja morta e em silêncio neste domingo, talvez não esteja morta e talvez nem mesmo seja domingo, mas todas as tardes dessa vida são como os domingos: tão mortos e tão lentos.
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A tevê está ligada...
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O apresentador de talk show distribui ventiladores e sorrisos talvez feitos do mesmo plástico daqueles ventiladores.
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"... Dão ventiladores para encher cômodos sem mobília, estômagos sem comida e corações sem esperança."
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E é falando como um desses incalculáveis corações vazios desprovidos de horizontes que vos escrevo para compartilhar uma conclusão nesta tarde dominical que talvez nem seja de domingo: Deus é o pai dos domingos! E por isso mesmo o domingo é um da santo! Um dia morto, silencioso e sepulcral como esse só poderia ter um dedo do deus que eu mesmo matei e enterrei tantas vezes com essas mãos. Pois Satã com certeza não saí para dançar seus tangos com as prostitutas aos domingos, pois se saísse, ah se saísse... Hoje não seria dia santo, dia de silêncio, oração e tédio.
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Hoje seria carnaval!
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Olho o calendário: falta quase um ano para o carnaval e quatro dias para o domingos. Nem mesmo é domingo! Mas hoje parece tanto com o domingo que esse coração desafinado, masoquista e sem amor-próprio não tem mais nem vontade de cantar os tangos que o Tinhoso dança. Ele só quer deitar, fechar os olhos, virar para o lado e dormir, dormir até que os domingos se acabem e passem a reinar os carnavais.

[The Jazz June - Day 7]

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