Eu passei seis horas aqui... pensando... apenas pensando
Pensando tantas coisas e de formas tão absurdas que seria impossível colocá-las em palavras, mas eu permaneci pensando...Depois de alguns segundos, eu vi que pensar tornou-se perigoso, pois as palavras começaram a se tornar inúteis e talvez eu não precisasse mais delas.
Eu vi que o pensamento era a mãe da solidão, mas eu permaneci pensando, com medo, porém pensando
Então eu percebi que pensar era pouco... eu precisava ir mais além... pensar era pouco. Mas o que fazer? Falar? Mas as palavras eram inúteis! Fazer? Mas como, se não podia traduzir o que pensava, então como poderia saber o que fazia? Então continuei pensando
Comecei a sentir ódio: ódio das multidões médio-pensantes que pensavam que pensavam, mas apenas repetiam o que eles diziam. E o que eles diziam era: vocês estão pensando o que nós pensamos. Senti ódio dos gênios: pensavam pensar mais do que nós, mas eram o que menos sabiam, pois nada sabiam além do que todos sabiam mas não podiam traduzir. Senti ódio de mim, que estava ali durante seis horas, pensando e sendo escravo dos pensamentos, pois a curiosidade de saber o próximo pensamento me impedia de fugir, e a incapacidade de saber dizer o que pensavam me impedia de ficar. Continuei pensando.
CHEGA! Não quero mais pensar! Pensar, pensar, pensar! Pra que?! Pra ser atingido pelo eterno mal de pensar e nada fazer.
Então, entendi!
Isso é o pensar: não é saber, não é entender ou descobrir! É simplesmente doer, coçar...impulsionar, fazer você continuar e ir adiante, atrás daquilo que arde, coça, queima e não te deixar ter paz. O pensar serve apenas para não te deixar parado, para não criar raízes, para ir mais além, para violar a inércia... Nada mais.
Continuei pensando mais um pouco, por mais seis horas, por uma vida inteira!
[Blind Pigs - Rubber Room]
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