domingo, 30 de dezembro de 2007

Seu Deus está Nú

O Cristianismo passou os últimos 2000 anos agredindo, violentando, torturando, esquartejando, queimando, humilhando, declarando guerras, perseguindo e executando qualquer pessoa que ousasse pensar diferente dele mesmo... E agora vem dizer que eu devo respeitar a sua fé e as suas instiuições?!

Eu não quero mais o respeito do seu suposto Deus, eu quero a cabeça dele!

A palavra-chave aqui não é mais coexistência...



A palavra-chave aqui é VINGANÇA!

"Só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana. Deus pressupõe a existência de uma providência divina, o que nega a possibilidade de escolher o próprio destino e inventar a própria existência. Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar. A liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia. Ora, o princípio fundamental do Deus do cristianismo, do judaísmo e do Islã é um entrave e um inibidor da autonomia do homem (...) É preciso mostrar que o rei está nu, deixar claro que o mecanismo das religiões é o de uma ilusão. É como um brinquedo cujo mistério tentamos decifrar quebrando-o. O encanto e a magia da religião desaparecem quando se vêem as engrenagens, a mecânica e as razões materiais por trás das crenças (...)" (Michel Onfray)




[H2O - Guilty by Association]

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007



Merry Christmas (I Don't Want To Fight Tonight) - Ramones


Merry Christmas, I don't want to fight tonight with...
Merry Christmas, I don't want to fight tonight
Merry Christmas, I don't want to fight tonight
Merry Christmas, I don't want to fight tonight with
you


Where is Santa at his sleigh? Tell me why is it always
this way?
Where is Rudolph? Where is Blitzen, baby? Merry
Christmas, merry merry merry Christmas


All the children are tucked in their beds Sugar-plum
fairies dancing in their heads
Snowball fighting, it's so exciting baby

I love you and you love me And that's the way it's got
to be
[Wipers - When It´s Over]

sábado, 22 de dezembro de 2007

Babaquices que Falam Sobre Vegetarianismo


"Onde vocês conseguem as proteínas?"
"Coisa de viadinho!"
"Ei, mas sabia que vegetariano fica estéril?"
"Mas um peixinho você come, né?"
"Come homem, uma vez só não vai matar não!"
"Mas você não come por que? Tem pena dos animais?!"
"Mas que graça tem em comer só salada?"
"Come, eu juro que não conto pra ninguém!"
"Come um pedaço, não é carne não, é presunto..."
"Mas tú é fresco hein..."
"Mas os vegetais também tem vida!"

(Compilação de todas as bobagens que seis vegetarianos - eu, Gabriela, Pedro, Raphortão, Ludmila, Val - conseguiram lembrar em um só dia)
[ROT - For Musical Destruction]

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Respirando Fumaça

O dia era quente como o inferno lá fora, ele mantinha os olhos fechados, uma mão segurava a vodka mais cara de r$ 1,30 poderia pagar, a outra cobria os olhos, revelando assim um ante-braço coberto por tatuagens estilo Yakuza.Ele pensava, tinha vontade de dar um soco em alguém, qualquer um... talvez desse um soco naquele garçom maldito que lhe ignorava quando o chamava, talvez desse um soco no mendigo do outro lado da rua apenas porque ele estragava a paisagem, talvez ele desse um soco naquele cara que saia do Vectra do outro lado da rua com uma loiraça ao lado, simplesmente porque ele queria estar no lugar dele. Talvez ele roube aqule vectra e atropele o mendigo logo após dar um soco no garçom. Mas o que ele se negava à perceber é que o que corria em suas veias não era ódio, repúdio ou qualquer coisa do tipo, mas sim uma vontade desesperada de fazer a coisa errada.

"Quero respirar fumaça!" veio a cabeça dele, respirar fumaça, matar células, entupir artérias, apodrecer vísceras, vomitar sangue, encurtar a vida em alguns segundos, o que ele queria mesmo era concentrar toda sua humanidade em um único segundo, ele queria viver tudo de uma vez, preferia ser rei por um instante do que ser escravo pelo resto da vida, como quando fez aquela tatuagem da Yakuza no braço, o que lhe rendeu uma demissão indenizada no emprego, o que rendeu ao chefe um murro na boca e alguns dentres quebrados o que rendeu à ele duas noites na cadeia "Grande dia, grande dia!".

Ele abriu os olhos e um yuppie passou em frente do boteco e ele disse à si mesmo "esse merece um soco mais do que qualquer outro!", virou de uma vez a vodka, o que lhe tirou cerca de 3 minutos de vida, puxou os malditos r$ 1,30 do bolso, colocou encima da mesa, puxou um guardanapo, escreve algo e depois saiu para respirar fumaça e dar um soco naquele yuppie

O garçom foi até a mesa dele, pegou o dinheiro e reparou que havia algo escrito, ele dizia:

"Essa é a sua vida e ela está acabando um segundo de cada vez!"

[Life Is A Lie : Kali Yuga]

domingo, 9 de dezembro de 2007

Sobre um Mendigo que Fumava Crack

Essa história fala sobre um mendigo sem nome viciado em crack e seu cachorro de um olho só
Basicamente porque é algo extremamente complicado batizar personagens (os viciados em crack nem tanto, agora os cachorros de um olho só...)
O mendigo sem nome viciado em crack é um ex-combatente do exército de Israel!
Não, apaga essa parte, é muito óbvio...
O mendigo sem nome viciado em crack é um rockstar decadente!
Não, vão achar que eu tô falando do Syd Barret...
O mendigo sem nome viciado em crack é um empresário falido que entrou em decadencia depois do crack!

Isso!

Genial!

E para manter seu vício ele teve que vender tudo o que possuía (isso inclui o próprio nome e o olho do cachorro!)
E de empresário bem-sucedido ele passa à número de estatística (sem nome e viciado em crack)

E o cachorro passa de cachorro à caolho...

Não, apaga, isso tá parecendo campanha anti-drogas...

Certo, abreviemos à história

O mendigo sem nome e viciado em crack é simplesmente um cara pra quem eu dei uma moeda
Não porque gostasse dele
Simpatizei com o cachorro
E depois segui reto, cheguei em casa e transformei-o em algo além de estatíticas (ou de um mendigo sem nome viciado em crack)
E eu sequer consigo lhe dar um nome, uma história, um olho para o seu cachorro (e também não consegui lhe dar crack)

Não se escrevem mais crônicas como antigamente

(especialmente sobre fumadores de crack)

[Dag Nasty - I´ve Heard (Live)]

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Pessoas Vazias e Paredes que Falam


Esta manhã, se você acordasse cedo, como você sempre faz, para comprar o pão (como você sempre faz) e prestasse atenção nas coisas ao redor (coisa que você nunca faz) poderia reparar que o mundo não era mais a mesma coisa, tinha um cheiro diferente no ar, e se você olhasse ao redor (coisa que você quase nunca faz), poderia ver na parede folhas de papel grudadas, e essas não traziam propagandas inúteis para serem ignoradas (que é exatamente o que você faz), traziam algo que cheirava à esperança, você se aproxima e começa à ler (coisa que você nunca faz)

Esse mundo está cheio de poetas
Mas alguém saberá de fato o que está dizendo
É, talvez eu não seja uma criança sensível
Porque mais nada disso faz sentido pra mim
Poesia? Que bobagem!
Não temos mais idade pra isso

"If we can walk together, why we can´t rock together?"

Pena, hoje eu não tenho mais palavras novas pra te dizer
Hoje eu só queria ficar aqui e ouvir todas aquelas canções que falavam sobre amizade
E trazer de volta todas as tardes de sábado
Que faziam tudo ser infinito até olharmos o relógio e percebemos que estamos atrasados

Então guarde uma moeda pra cada um dos seus pecados
Que eu te espero aquilo do outro lado
Não importa se me disseram que hoje vai chover
E que a tempestade vai durar pra sempre
Somos jovens, temos tempo
E eu pessoalmente não tenho mais nada à perder

E talvez aquilo entre na sua mente, talvez você tome a pílula vermelha, talvez o Tyler tome o controle, e você decida não fazer mais as coisas que você sempre faz: talvez você se demita, talvez você encha a cara em dia de semana, talvez você se apaixone (coisa que você nunca faz) e talvez você aprenda que as vezes, a paz é entediante e que existem coisas mais importante do que aquilo que eles te mostram

Ou talvez você apenas compre o pão, volte pra casa e continue com a sua vidinha miserável.

Tanto faz...



[Lifetime : Northbound Breakdown]

domingo, 2 de dezembro de 2007

as revoluções que eu deixei morrer

"Escrever poemas em guardanapos são uma coisa tão Bukowski" pensava
O dia era frio e o céu nublado, como a maioria das pessoas que passavam por ali
Mas ele não, ainda tinha calor dentro de si
Talvez paixão, talvez cerveja, talvez os dois
Ele não tinha muita certeza e pra falar a verdade nem se importava

Ele estava sentado na mesa de boteco vendo aquela gente passar
O ritmo frenético das pessoas e a fumaça dos carros poderia incomodar a maioria
Mas não à ele
Ele não
Ele amava aquilo
Deixava a cidade o devorar e a fumaça o engolir
"As metrópoles são malditas e essas ruas me pertencem"
Repetia para si mesmo
Colocou isso no papel

"Ei Ferreira! A conta!" gritou ao garçom e voltou ao papel

"Isso que eu escrevo agora falam sobre trapaças
Trapaças que eu apliquei contra mim mesmo
Os ideais que eu traí
E as revoluções que eu dexei morrer
Eu falo sobre as crianças que calamos
E as flores que nunca chegam à florescer
Sobre o inimigo que renasce
E sobre as esperanças que deixamos morrer
E um dia juramos ser eterno
Eu exigo que nos tragam a eternidade de volta
Que nesses dias tão modernos
Parece ser inútil escrever poemas de amor
Como faziam antigamente"

Outro gole de cerveja, ele permanecia ali
Invocando os demônios que todos negavam a existência
Pela calçada passou um homem de expressões severas
Enquanto a maioria apenas veria o rosto
Ele podia ver o coração
Tão vazio quanto aquele copo de cerveja agora

"Mudar o mundo parece ser uma infantilidade
Caminhar pelas ruas clamando vitória
Que bobagem!
Mas será que a beleza não estará nisso?
Em parecer tão impossível?
Não há graça em acreditar
Que tudo é apenas uma farsa"

O garçom colocou a conta sobre a mesa, ele pagou e saiu
Com poemas nos bolsos e o fogo na alma
Levando consigo os segredos mais absurdos que você possa imaginar
Terra do Nunca, Marte, La Mancha
Ele conheceu todos e pode te levar
Se você se desse o direito de parar um instante
Pra sentir a brisa do mar...


[The Get Up Kids - Newfound Mass]

sábado, 1 de dezembro de 2007

2:30 a.m hora de Brasília
Horário de verão

Que diferença faz?Uma hora a mais, uma hora a menos
De que isso serve quando as horas nunca acabam?
Ele se contorcia na cama

Enjoô
Vontade de vomitar
tontura

Ele se levantar e vai ao banheiro
Liga a luz
Abre a torneira
Mas não olha o espelho
É deprimente olhar no espelho
E saber que nada mudou

Ele bebe água da torneira
Imunda, podre, tanto faz
Ele sai do banheiro
Sem se olhar no espelho
Ele volta para o quarto
Ele liga a luz
Paredes imundas, cinzas
Um dia foram brancas
Um dia foram limpas
Um dia foram puras
Ele também

Ele abre a gaveta do criado mudo
Revistas pornôs
Canetas roubadas

Gaveta errada

Gaveta de baixo

Remédios!
Pra enjoô, pra insônia, pra febre, pra coceira
Mas o mal do homem é incurável
Ele toma os seus remédios
Com a miníma esperança de que vá ficar tudo bem

O enjoô aumenta
Ele abre outra gaveta
E procura alguma coisa pra comer
Ele acha e joga na boca

Seja lá o que for, ele come com indiferença
Talvez seja salgado, talvez seja doce
Ele não se importa mais
Ele só quer ter alguma coisa na barriga
Pra tem algo pra vomitar
Ele quer preencher o vazio da barriga
Pra compensar um outro vazio maior

Ele se deita na cama
Tenta lembrar alguma coisa
Seu nome?
Ele lembra do próprio nome com a mesma indiferença com que mastigava
O nome não importa pra ninguém
Nem mesmo pra ele

O enjoô não melhora
Ele começa a lembrar da sua vida
Nada de importante
Nada que valha a pena ser mencionado
Ele desisti
Sabe que não vai dormir
Não desse jeito
Não do jeito convencional
Por uma única vez
Pela derradeira vez
Ele não irá ser convencional

O criado mudo tinha quatro gavetas
Na quarta havia um Taurus .38 Special modelo 817 de fabricação israelita
O cano tinha 51 mm de diâmetro
O acabamento poderia ser de aço inox ou oxidado
Nesse caso era oxidado
O tambor tinha capacidade para sete tiros

Ele não precisava de tanto...

Ele apontou a arma para cabeça
O gatilho fez "click"
E por um segundo todos olharam para ele
O zelador olhou para ele
Os policias olharam para ele
O legista olhou para ele
O legista sabia seu nome...
Até o escreveu em uma etiqueta que amarrou em seu dedão

O nome?
Não importa mais
O enjoô passou
E agora ele, que podia se chamar Marcelo, Alberto, Carlos, qualquer coisa
Podia
finalmente

dormir...




[O Inimigo : Jealous Again (Black Flag Cover)]